domingo, 21 de outubro de 2007

ppc é o terror da caxangá

Quem já teve o desprazer de tomar um ônibus do bairro de Boa Viagem, Recife, no domingo final da tarde, para os arredores da Av. Agamenon Magalhães? Pois é. É sempre um problema quando o transporte coletivo sai da Conselheiro Aguiar e pega a Av. Antônio de Góes que dá acesso a Ponte Agamenon Magalhães. Hoje, tomei o CDU/CAXANGÀ/BOA VIAGEM, e como sempre, vários delinqüentes invadiram o ônibus. O que não seria diferente se eu tivesse tomado o PE 15 – BOA VIAGEM. Mas o exemplo de hoje vai servir de alerta.

O motorista parou no segundo ponto. Assim que percebeu que os “jovens bêbados” entrariam no transporte a todo custo, decidiu não abrir a traseira. Mesmo assim, forçaram a porta e conseguiram entrar na maior baderna. No domingo passado, havia um fiscal da EMTU, o que não adiantou de nada. O que falta é segurança pública.

Todo domingo é a mesma coisa. Hoje mais de 15 delinqüentes conseguiram entrar no coletivo. Batendo no ônibus, ameaçando o cobrador e o motorista. Quem de nós poderia intervir? Cadê a segurança pública numa avenida tão movimentada no final de semana, principalmente no domingo, no período de fim de praia? O grito de guerra, embalado num funck, que se podia perceber que era de autoria dos jovens, dizia que a “turma” era o “terror da Caxangá”, nome de bairro da zona norte do Recife.

Sinceramente, já decidi nunca mais apanhar um ônibus nesse período do dia e no domingo. Já que a Prefeitura do Recife tornou tradição a meia passagem nos domingos para que as pessoas usassem mais os transportes coletivos, podia dobrar o número de viaturas e policiais militares nas ruas e nos pontos mais críticos de movimentação da grande massa. Os donos de empresas de transportes também podiam zelar pela vida de seus funcionários intervindo nessa situação. Porém, enquanto não há solução para tal problema, minha sugestão é uma ordem: evite os ônibus que saem de Boa Viagem no final da tarde do domingo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

museu de grandes novidades

há um museu de grandes novidades. ares de prostituição infantil no campo. e não se sabe para onde vai o agronegócio online. da venda de vaginas e prazeres-homo virtuais. há um museu da má distribuição de renda. das reformas lentas. da dona benta que não existe mais. que solidariedade? que cooperativismo que nada. anda o mundo com os olhos cheios de capitalismo. e o campo não é santo. tem batismo católico e prática universal do reino do deus. seus filhos estão crescendo. cheios de novidades e grandes museus promovendo o funcionalismo. e funciona? funciona. funciona. olha ao redor a agricultura maciça desmatando tudo. e depois, quem sabe, a tropa de elite possa derrubar as barragens e inundar municípios inteiros para desviar os olhos dos espertos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

“esse foi o melhor filme brasileiro”

Eu fui assistir o Tropa de Elite no cinema em seu dia de estréia. Desculpe-me Monsieur S., eu sei que esta coluna é de Televisão, mas é que a corrupção da polícia militar é um problema de saúde pública. Não sei se foi ironia ou mesmo porque realmente estejamos necessitando de ajuda divina, mas o filme estreou no dia da padroeira do Brasil. Será que é a ela que devemos recorrer diante da situação mostrada no filme? Na saída da sala, depois da sessão terminar, um dos expectadores pelos corredores disse que “esse foi o melhor filme brasileiro”.

Mas antes disso, bem antes, bem no início, muita gente reclamou do tanto de propaganda das empresas que acreditaram no trabalho. Bem, parece que as pessoas esquecem que tudo no mundo precisa de dinheiro para funcionar, e com o cinema não é diferente. O Brasil tem produzido muitos filmes e isso não é porque apenas as cabeças “mudaram”, mas também porque há investimento para que isso aconteça.

Seria muita falta de originalidade se eu começasse a repetir o que todo mundo que está escrevendo sobre esse filme diz: “é um absurdo a corrupção da polícia militar”. Mas, na verdade, é que não tem como você não se indignar. O que o brasileiro pode fazer diante de uma denúncia desse gênero?, fiquei pensando. Não sabemos de nenhuma verdade e disso eu já sabia há muito tempo. A questão é que não é somente de verdades que precisamos, mas de intervenção.

Será que as pessoas se tocaram da urgência de intervenção da sociedade civil nessa situação? E não estou falando de passeatas “brancas” ou movimentos de paz. Estou falando de intervenção de verdade. Caso isso não aconteça, acho que o maior problema vai continuar sendo esse de restringir a situação real a uma mera opinião ficcional de que “esse foi o melhor filme brasileiro”.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

lançamento do livro escritos de asfalto

Esse é um grande momento, do lançamento do livro escritos de asfalto de minha autoria. Tudo aconteceu a partir do blogger. Mas os textos já surgem há muito tempo. Escrevo desde criança e tenho muita coisa elaborada. São contos, poemas e prosas. Alguns romances. Nesse momento que se estabelece, venho preparando uma publicação bem ao meu estilo. São prosas, contos e poemas chamado "escritos de asfalto". Todos podem adquirir antecipadamente o livro como forma de garantir que seja realmente publicado.

A venda está sendo feita por meio de depósito bancário e em troca o comprador recebe um VALE-LIVRO que garante o exemplar para o dia que for lançado (em dezembro de 2007).

Ajudem-me a realizar este grande sonho!!

abraço a todos!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

da varanda de casa se vê todas as coisas a olho nu

da varanda de casa se vê todas as coisas a olho nu. todas as sombras quando há penumbra. todas as tardes de sol ou de chuva. todos os passeios à noite ou de manhã cedo. as lembranças. as crianças. os amores. os solitários. os românticos e os atropelados pelo destino de ser paisagem da varanda de casa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

“barrados no baile” e na cobertura da Globo

É engraçado como é explícita a hipocrisia brasileira, principalmente dos meios de comunicação de massa, mas especificamente a Globo, quando vemos a diferença no tratamento dado à cobertura dos jogos Parapan-americanos. Quando a autora Cosette Castro afirma que a TV acaba reafirmando valores e comportamentos, não se trata de uma postura “meramente intelectual” frente às produções televisivas, mas constatações alcançadas por meio de análises sérias. Um caso bem típico de reafirmação de valores e comportamentos está bem ligado ao preconceito com os portadores de deficiência. Para a cobertura do Pan, os telejornais da Globo acompanharam in loco os acontecimentos e até mesmo um novo programa Boletim do Pan foi inserido à grade de programação da emissora. Mas no caso do Parapan, tudo foi muito diferente. A impressão que deu é que a cobertura chegava apenas para tapar os “buracos” das pautas diárias dos programas jornalísticos que vão ao ar.

No domingo, 19 de agosto, último dia de competições, os resultados obtidos pelos atletas contabilizavam 228 medalhas. O Brasil campeão de medalhas, principalmente com as de ouro (83). Enquanto que os atletas do Pan conseguiram a marca de 161 medalhas e 54 de ouro, o Brasil no terceiro lugar do quadro geral. O encerramento do evento (o Parapan) foi marcado por protestos. Grupo de pessoas com deficiência reclamava do fato de a festa não ser aberta ao público. Eles apresentavam uma faixa que dizia “Barrados no Baile”.

Atitudes como as de cobrar por ingresso num evento que precisa de muito apoio ainda do grande público não é uma postura de respeito ao cidadão brasileiro. As desigualdades sociais não apenas englobam a pobreza, a falta de emprego e as condições de moradia, mas também as diferenças entre os indivíduos, principalmente a grande maioria que depende ainda de assistência pública governamental. O fato de a Globo não reservar o mesmo valor dado ao Pan para o Parapan só acaba reafirmando o pensamento de que “devemos fechar os olhos para mais outros excluídos sociais”.

sábado, 18 de agosto de 2007

às nove

cheguei às nove, movem as perspectivas. tintas de colorir tempos. paisagens e o cimento do asfalto quente do recife. tive poucos sonhos antes de partir. poucas noites de sono. ou melhor, pouco sono para tantas noites. removedor de tintas para todas as coisas que colori por cinco anos. planos, tamanhos e razões. também planos de viagem pra longe. pra cerca de poucos lábios. pra chegar ficar tão preso. pra amar outra vez. pra desta não sair ileso. envieso o olhar. o mesmo que tentou descobrir formas mais impressionistas. agora sei que não fiquei de voltar. de olhar para trás. de achar que fui arredio. que de frio fui pouco pano para as madrugadas terrivelmente felizes. entrei e tranquei o portão para shelda não sair.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

a última coisa que eu queria era me aborrecer com motorista de ônibus

Você sabe como entrar com uma ação de danos morais contra um motorista de ônibus? Se você sabe, me fale. Outro dia, a caminho da UFRPE, apanhei o AV. NORTE MACAXEIRA. Mas antes, havia passado no posto de carregamento do passe-fácil, o cartão de passagem de transporte coletivo da Prefeitura do Recife. Penso que o problema já começa daí. Primeiro que a matéria-prima utilizada para a fabricação desses cartões não é lá essas coisas. Não sei ao certo se o problema está nas máquinas dispostas nos veículos ou no próprio cartão. Só sei que o meu passe fácil não foi “aceito” no veículo de número 245 da linha do SEI (o azulzinho). Certo que eu não teria nada a ver com isso, sentei-me na frente. Porém, o motorista, com sua falta de educação e despreparo para a sua atividade exercida — motorista — exigiu que eu descesse do ônibus.

Problemas como esses são comuns no Grande Recife. Se o problema não for quanto ao próprio acesso via cartão de passagem, seja do estudante ou do trabalhador, pode ter certeza que você vai acabar se esbarrando com o da falta de respeito com o cidadão que vive na região metropolitana e precisa dos transportes públicos para se locomover na cidade. Um exemplo disso é quanto à linha “opcional” AEROPORTO. O valor da passagem é de 2 reais, mas nos veículos, ainda não foram instaladas as maquininhas para a utilização dos cartões de passagem (nada mais intencional de parte das empresas, que detém concessão pública, que quer dizer que podem sim sofrer com a perda das atividades com o transporte público se apresentarem muitas irregularidades e se forem denunciadas pelos cidadãos aos órgãos reguladores). Eu, num dia de pressa, tive que apanhá-lo, contando que ia poder usar meu passe fácil. Porém, não havia a máquina. Então entrei, sentei-me e esperei o cobrador vir cobrar a passagem. Quando ele pediu o pagamento, eu apresentei a carteira de estudante e disse que ia pagar apenas 1 real pela viagem. Ele falou que não, que naquele veículo não havia máquina e que por isso eu não poderia pagar metade do valor da passagem. — E eu com isso? Perguntei a ele. Sou estudante e tenho direitos. Que direito que nada. A falta de respeito vai muito além daquilo que acreditados que sejam direitos.

Acabei pagando o valor inteiro. E a minha carteira de estudante? Se você pensou em lixo, ficaram mesmo sendo a mesma coisa nesse dia.