terça-feira, 21 de agosto de 2007
da varanda de casa se vê todas as coisas a olho nu
da varanda de casa se vê todas as coisas a olho nu. todas as sombras quando há penumbra. todas as tardes de sol ou de chuva. todos os passeios à noite ou de manhã cedo. as lembranças. as crianças. os amores. os solitários. os românticos e os atropelados pelo destino de ser paisagem da varanda de casa.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
“barrados no baile” e na cobertura da Globo
É engraçado como é explícita a hipocrisia brasileira, principalmente dos meios de comunicação de massa, mas especificamente a Globo, quando vemos a diferença no tratamento dado à cobertura dos jogos Parapan-americanos. Quando a autora Cosette Castro afirma que a TV acaba reafirmando valores e comportamentos, não se trata de uma postura “meramente intelectual” frente às produções televisivas, mas constatações alcançadas por meio de análises sérias. Um caso bem típico de reafirmação de valores e comportamentos está bem ligado ao preconceito com os portadores de deficiência. Para a cobertura do Pan, os telejornais da Globo acompanharam in loco os acontecimentos e até mesmo um novo programa Boletim do Pan foi inserido à grade de programação da emissora. Mas no caso do Parapan, tudo foi muito diferente. A impressão que deu é que a cobertura chegava apenas para tapar os “buracos” das pautas diárias dos programas jornalísticos que vão ao ar.
No domingo, 19 de agosto, último dia de competições, os resultados obtidos pelos atletas contabilizavam 228 medalhas. O Brasil campeão de medalhas, principalmente com as de ouro (83). Enquanto que os atletas do Pan conseguiram a marca de 161 medalhas e 54 de ouro, o Brasil no terceiro lugar do quadro geral. O encerramento do evento (o Parapan) foi marcado por protestos. Grupo de pessoas com deficiência reclamava do fato de a festa não ser aberta ao público. Eles apresentavam uma faixa que dizia “Barrados no Baile”.
Atitudes como as de cobrar por ingresso num evento que precisa de muito apoio ainda do grande público não é uma postura de respeito ao cidadão brasileiro. As desigualdades sociais não apenas englobam a pobreza, a falta de emprego e as condições de moradia, mas também as diferenças entre os indivíduos, principalmente a grande maioria que depende ainda de assistência pública governamental. O fato de a Globo não reservar o mesmo valor dado ao Pan para o Parapan só acaba reafirmando o pensamento de que “devemos fechar os olhos para mais outros excluídos sociais”.
No domingo, 19 de agosto, último dia de competições, os resultados obtidos pelos atletas contabilizavam 228 medalhas. O Brasil campeão de medalhas, principalmente com as de ouro (83). Enquanto que os atletas do Pan conseguiram a marca de 161 medalhas e 54 de ouro, o Brasil no terceiro lugar do quadro geral. O encerramento do evento (o Parapan) foi marcado por protestos. Grupo de pessoas com deficiência reclamava do fato de a festa não ser aberta ao público. Eles apresentavam uma faixa que dizia “Barrados no Baile”.
Atitudes como as de cobrar por ingresso num evento que precisa de muito apoio ainda do grande público não é uma postura de respeito ao cidadão brasileiro. As desigualdades sociais não apenas englobam a pobreza, a falta de emprego e as condições de moradia, mas também as diferenças entre os indivíduos, principalmente a grande maioria que depende ainda de assistência pública governamental. O fato de a Globo não reservar o mesmo valor dado ao Pan para o Parapan só acaba reafirmando o pensamento de que “devemos fechar os olhos para mais outros excluídos sociais”.
sábado, 18 de agosto de 2007
às nove
cheguei às nove, movem as perspectivas. tintas de colorir tempos. paisagens e o cimento do asfalto quente do recife. tive poucos sonhos antes de partir. poucas noites de sono. ou melhor, pouco sono para tantas noites. removedor de tintas para todas as coisas que colori por cinco anos. planos, tamanhos e razões. também planos de viagem pra longe. pra cerca de poucos lábios. pra chegar ficar tão preso. pra amar outra vez. pra desta não sair ileso. envieso o olhar. o mesmo que tentou descobrir formas mais impressionistas. agora sei que não fiquei de voltar. de olhar para trás. de achar que fui arredio. que de frio fui pouco pano para as madrugadas terrivelmente felizes. entrei e tranquei o portão para shelda não sair.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
a última coisa que eu queria era me aborrecer com motorista de ônibus
Você sabe como entrar com uma ação de danos morais contra um motorista de ônibus? Se você sabe, me fale. Outro dia, a caminho da UFRPE, apanhei o AV. NORTE MACAXEIRA. Mas antes, havia passado no posto de carregamento do passe-fácil, o cartão de passagem de transporte coletivo da Prefeitura do Recife. Penso que o problema já começa daí. Primeiro que a matéria-prima utilizada para a fabricação desses cartões não é lá essas coisas. Não sei ao certo se o problema está nas máquinas dispostas nos veículos ou no próprio cartão. Só sei que o meu passe fácil não foi “aceito” no veículo de número 245 da linha do SEI (o azulzinho). Certo que eu não teria nada a ver com isso, sentei-me na frente. Porém, o motorista, com sua falta de educação e despreparo para a sua atividade exercida — motorista — exigiu que eu descesse do ônibus.
Problemas como esses são comuns no Grande Recife. Se o problema não for quanto ao próprio acesso via cartão de passagem, seja do estudante ou do trabalhador, pode ter certeza que você vai acabar se esbarrando com o da falta de respeito com o cidadão que vive na região metropolitana e precisa dos transportes públicos para se locomover na cidade. Um exemplo disso é quanto à linha “opcional” AEROPORTO. O valor da passagem é de 2 reais, mas nos veículos, ainda não foram instaladas as maquininhas para a utilização dos cartões de passagem (nada mais intencional de parte das empresas, que detém concessão pública, que quer dizer que podem sim sofrer com a perda das atividades com o transporte público se apresentarem muitas irregularidades e se forem denunciadas pelos cidadãos aos órgãos reguladores). Eu, num dia de pressa, tive que apanhá-lo, contando que ia poder usar meu passe fácil. Porém, não havia a máquina. Então entrei, sentei-me e esperei o cobrador vir cobrar a passagem. Quando ele pediu o pagamento, eu apresentei a carteira de estudante e disse que ia pagar apenas 1 real pela viagem. Ele falou que não, que naquele veículo não havia máquina e que por isso eu não poderia pagar metade do valor da passagem. — E eu com isso? Perguntei a ele. Sou estudante e tenho direitos. Que direito que nada. A falta de respeito vai muito além daquilo que acreditados que sejam direitos.
Acabei pagando o valor inteiro. E a minha carteira de estudante? Se você pensou em lixo, ficaram mesmo sendo a mesma coisa nesse dia.
Problemas como esses são comuns no Grande Recife. Se o problema não for quanto ao próprio acesso via cartão de passagem, seja do estudante ou do trabalhador, pode ter certeza que você vai acabar se esbarrando com o da falta de respeito com o cidadão que vive na região metropolitana e precisa dos transportes públicos para se locomover na cidade. Um exemplo disso é quanto à linha “opcional” AEROPORTO. O valor da passagem é de 2 reais, mas nos veículos, ainda não foram instaladas as maquininhas para a utilização dos cartões de passagem (nada mais intencional de parte das empresas, que detém concessão pública, que quer dizer que podem sim sofrer com a perda das atividades com o transporte público se apresentarem muitas irregularidades e se forem denunciadas pelos cidadãos aos órgãos reguladores). Eu, num dia de pressa, tive que apanhá-lo, contando que ia poder usar meu passe fácil. Porém, não havia a máquina. Então entrei, sentei-me e esperei o cobrador vir cobrar a passagem. Quando ele pediu o pagamento, eu apresentei a carteira de estudante e disse que ia pagar apenas 1 real pela viagem. Ele falou que não, que naquele veículo não havia máquina e que por isso eu não poderia pagar metade do valor da passagem. — E eu com isso? Perguntei a ele. Sou estudante e tenho direitos. Que direito que nada. A falta de respeito vai muito além daquilo que acreditados que sejam direitos.
Acabei pagando o valor inteiro. E a minha carteira de estudante? Se você pensou em lixo, ficaram mesmo sendo a mesma coisa nesse dia.
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